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Responsabilidade Corporativa

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Por Julio Bin Há uma pergunta que ronda grande parte das empresas e martela a inteligência dos habitantes do mundo corporativo, em intensidade proporcional ao nível do conhecimento sobre o assunto: o que é e como fazer para ser e permanecer socialmente responsável? Fóruns, debates, seminários e reuniões são cada vez mais comuns entre os que carregam a bandeira da sustentabilidade nas organizações, e também pelos simpatizantes da idéia de usar o poder e a estrutura das grandes corporações com o objetivo de iniciar um processo de melhoria na sociedade e da preservação dos recursos naturais. É impressionante e animador observar como este mesmo assunto, há três anos, era apenas considerado pauta entre um inexpressivo número de profissionais e, mesmo assim, num nível considerado acadêmico. A fundamentação necessária para responder à pergunta, talvez esteja concentrada em outra questão que deveria ser anterior a esta, mas que se perdeu no momento em que as alternativas começaram a ser procuradas, quase que apenas dentro do contexto corporativo. Diferentemente do que muitos pensam, o conteúdo necessário para o desenvolvimento de programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) passa por um raciocínio que, antes de ser coletivo, deve ser individual. Não é possível olhar para o todo sem antes olhar para dentro de nossas casas. Para se criar processos sustentáveis e que tenham uma interferência positiva em nossa sociedade, é preciso que estes indivíduos estejam cientes de seus direitos e de suas responsabilidades enquanto cidadãos e profissionais. Infelizmente no Brasil temos exemplos diários de como indivíduos carentes de valores éticos, morais e sociais se aproveitam de cargos e privilégios para praticar a Irresponsabilidade Social. Vestem chapéus tanto públicos como privados e não pensam sobre a situação insustentável que estão criando para seus descendentes. Constróem palácios de ouro sob um alicerce de areia com vista para um mar de lama. O que parece ser um império é uma estrutura debilitada que depende de esquemas obscuros a da conivência de muitos. Estes impérios acabam, mais cedo ou mais tarde, ruindo e prejudicando não só a própria família, mas todos a sua volta. É o velho ditado: um dia a casa cai! Esta metáfora serve para que nós, indivíduos interessados em iniciar um real processo de revitalização moral neste País, entendamos a mensagem e realmente a aplique-mos em nosso dia-a-dia. A Responsabilidade Social Corporativa não pode ser encarada com mais um job ou um projeto. Presidentes, funcionários, colaboradores, fornecedores, enfim, todos os envolvidos na cadeia produtiva das organizações, devem primeiro compreender os resultados e efeitos da sustentabilidade como indivíduos, para então começar a desenvolver programas corporativos. Esta conscientização passa de maneira inevitável, por um forte sentimento nacionalista de resgate da cidadania e de reconstrução cívica, no qual o sujeito corporativo entende que antes de ser um profissional, ele é, prioritariamente, um cidadão. Por mais piegas que possa parecer, o segredo de uma sociedade verdadeiramente preocupada com o futuro das gerações que estão para vir, se traduz em apenas uma palavra: patriotismo. O descontentamento e desânimo que muitos de nós sentimos neste momento histórico pelo qual passa o País é, na verdade, uma grande desilusão amorosa com a nossa pátria. Estamos saudosos e carentes de orgulho, de respeito, de confiança e de reciprocidade ética. Aqueles bons exemplos a serem seguidos, que uma determinada campanha publicitária nos pedia e alardeava, já foram assimilados há muito tempo atrás. O que o cidadão brasileiro precisa mesmo é somente de cidadania – e não de ser levado a achar que o bom do Brasil é mesmo o estrangeiro. A Responsabilidade Social Corporativa pode então constituir, antes de qualquer outra coisa, a salvação de milhões de brasileiros que não estão e nunca farão parte do seleto mundo corporativo. O resgate da dignidade, autoconfiança, moral e cidadania destas pessoas, depende de ações não- governamentais e está nas mãos daqueles que se propõem a fazê-las. A própria moralização de nosso falho sistema administrativo e público pode resultar de exemplos e programas criados e geridos pela iniciativa privada e do terceiro setor. Os recursos intelectuais e financeiros já existem para que os primeiros passos sejam dados, mas continuaremos engatinhando por um longo tempo ainda, caso a principal pergunta não seja assimilada e respondida por cada um de nós: o que devo fazer para que o futuro de minha família seja sustentável. Julio Bin Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie em São Paulo e PGC em Marketing pela Westminster University de Londres.Sócio-diretor da Gecko www.gecko.com.br

 

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Category: Estratégia

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